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Carlos Brandão acolhe os amigos da Unicamp e fala da sua trajetória

Fonte: Jornal da Unicamp - Luiz Sugimoto Fotos: Antoninho Perri Edição das imagens: Everaldo Silva

ifch_brandao_290x240_.jpg[22/10/2010]

Os amigos do antropólogo, educador, ambientalista e poeta Carlos Rodrigues Brandão queriam fazer-lhe uma homenagem pelos 70 anos e pela trajetória profissional e de vida que serve de referência a todos. Ele próprio sugeriu, entretanto, que o evento realizado nesta sexta-feira (22) no Centro de Convenções tivesse ares de confraternização. “Estou muito feliz justamente por não se tratar de uma homenagem, que é algo que um bando de gente faz para alguém. Isso é um encontro, um bando de gente se encontrando em volta de alguém”.

 

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Para a professora Raquel Cavalcanti, que ajudou a organizar o evento, trata-se de uma manifestação de gratidão, amizade e carinho a um pesquisador em plena atividade. “Homenagens póstumas não fazem sentido. Brandão é um exemplo de ser humano e de generosidade, solidariedade e amorosidade, além de grande educador e antropólogo. Como pesquisador, vem focando as comunidades ribeirinhas e a cultura e religiosidade popular, como a Folia de Reis. Seus textos sobre Paulo Freire, com quem trabalhou, são referências na área. Há quem diga que ele é o sucessor de Freire”.

 

O escritor Regis de Moraes, professor aposentado pela Faculdade de Educação (FE), disse que ele e Carlos Brandão foram aproximados pela poesia. “Ele tem sempre essa atitude acolhedora com as pessoas e nunca encontrei alguém que não lhe demonstrasse grande carinho. Além de brilhante na sua área, é um poeta formidável, já premiado algumas vezes. Como também tenho livros de poemas publicados, isso nos aproximou no início da década de 70 e, desde então, somos irmãos não-consanguíneos”.

 

Na primeira parte do encontro haveria uma roda de conversa. Régis de Moraes conversaria com o Brandão ser humano, poeta e educador; Rubem Alves com o Brandão escritor; Marcos Sorrentino, da Esalq/USP, com o Brandão ambientalista; Severino Antônio, também com o Brandão poeta; Emília Godói, do IFCH/Unicamp, com o Brandão antropólogo; e Paulo Padilha, do Instituto Paulo Freire, com o Brandão educador. Na segunda parte, os amigos contariam histórias cativantes vividas com o professor, que seriam intercaladas por música e poesia. À noite, mais conversa, cantoria e poesia no Centro Cultural Casa de Barão, fora do campus.

 

Enquanto acolhia os amigos que iam chegando, Carlos Brandão admitia que seria inevitável falar de sua trajetória. “Diria que a Unicamp representa o meio da minha vida acadêmica, que comecei como professor na UnB. Quando apareceu a alternativa de vir para a Unicamp, estava na Federal de Goiás, feliz com meu início de carreira e nem pensava em sair. Fiquei na dúvida porque lá era professor titular e aqui seria MS-2. Até que uma pessoa mostrou como meu dilema era simples: ‘você precisa resolver se quer ser sapão de lagoinha ou sapinho de lagoão. Decidi experimentar ser sapinho”.

 

De sapinho, Brandão chegou a MS-6 e ainda hoje é professor do programa de doutorado em Ambiente e Sociedade do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam), do IFCH. Mas tem saudade dos velhos tempos, ainda que fossem sob a ditadura militar. “Vivi a experiência de uma universidade extremamente solidária. Não havia salas individuais, nem computadores, e os professores tinham mesmo que conviver em salas coletivas, às voltas com os alunos, organizando grupos de estudo. Defesa de mestrado era motivo de festa para cantar e dançar. Tínhamos uma vida universitária”.

 

Aos amigos que se dizem cansados da academia, Carlos Brandão responde que é porque eles nunca saem do campus. “Se elaboramos pesquisas para viajar com os alunos e ver o mundo com eles, voltamos para a universidade com toda esta substância. Sempre levei uma vida muito dividida entre o trabalho acadêmico e o trabalho mais militante junto a movimentos sociais. Sou da geração de Betinho, Frei Betto, Leonardo Boff e Paulo Freire. É como se fosse uma espécie de extensão universitária”.

 

Depois da aposentadoria na Unicamp, Brandão passou pela Esalq e Universidade de Uberaba, voltou à Federal de Goiás e esteve na Federal de Montes Claros, onde mantém um grupo de pesquisa focado no rio São Francisco. Ao fim do encontro com os amigos, pegaria um ônibus para dar aulas em Uberlândia. “Também tenho escrito muito, tanto livros de educação, como um trabalho recente sobre comunidades tradicionais, quanto de literatura, como um para jovens (no estilo Rubem Alves) que acabei de entregar à editora. Além disso, estou revendo e reprocessando trabalhos meus, pois vou doar para o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular todo o material que colhi em 40 anos de pesquisa de campo. É uma vida múltipla”.
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